terça-feira, 9 de setembro de 2008

...assim também eu!


Nesta Cidade

Quer eu queira quer não queira
Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira

Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua, crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta

A polícia já tem o meu nome
Minha foto está no ficheiro
Porque eu não me rendo
Porque eu não me vendo
Nem por ideais
Nem por dinheiro
E como eu sou e quero ser sempre assim
Um rio que corre sem princípio nem fim
O poder podre dos homens normais
Está a tentar dar cabo de mim
Cabo de mim

Jorge Palma

domingo, 31 de agosto de 2008

...a viagem!


Se queres saber quem sou olha-me nos olhos...
Se queres saber quem sou sente a minha mão...
Queres saber o que elas contam?
A história da minha vida!
Tudo o que guarda o coração!

O meu baú teima em guardar muitas coisas...
histórias de sempre e de nunca,
de uma vida...de uma luta!
Será em vão?
o tempo o dirá!

Tudo passa...
o vento..
a água...
o gesto...
a excepção é mesmo excepcional
o único que fica
é mesmo o sentimento!

E esse guarda-se muito bem,
no fundo do baú...
a nossa vida!

A minha vida...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

...o prazer de sentir!


...como se sente? de sentir! ...de percorrer as formas, o espelho, o olhar! A vontade enorme de ter o prazer de agradar...sim, porque tudo se resume ao ter prazer de se... falar, gostar, olhar, admirar, cultivar, de novo voltar a olhar e agradar! Ninguém consegue avaliar tudo que nos rodeia, existe sempre algo que está aqui tão perto, que nos fascina por um pormenor a que nunca demos muito atenção, mas ele está lá...o pormenor! Passamos ao lado e voltamos a passar...ele está lá...quem o encontra? Gosto de ser grande...como uma gota de água, um pouco de fogo, um grão de areia, ou o ar da brisa matinal! Os quatro elementos...a união de espírito! E o pormenor? A vida...e depois o olhar, a face oculta da lua, o olhar que fascina, o mesmo de todas as luas que giram em torno de um planeta! A ilusão... e a demência de nos bater o sol na cabeça e a lua rodar sem parar...e gritar: o louco saiu à rua!... e a acompanhar veio com ele o perfume ébrio do champanhe da vida! Será bom? Será mau? Avaliação à parte... tem classe! É champanhe! É perfume! É a vida! A minha vida!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

...sol!


Depois do desequilibro da chuva... o renascer do sol na sua plenitude! O calor... a forma das formas! O odor...a passagem do rio! As coisas sem nexo que penso e digo! Agora apeteceu-me escrever frases sem sentido nem ligação... as ligações ao mundo do nada! E do nada se faz tudo...tira-se de um lado põe-se no outro e o que resulta: tudo e nada! Que maluquice a minha...
Rio-me a olhar para o que escrevo, que sensação estúpida de ser estúpido sem nexo...o que escrevo? Meras tolices... volto a rir-me e a imaginar o que pensa quem me lê? Que demente escreve uma coisa destas? O que vale é que a minha demência, ainda não serve como prova de condenação aos olhos do mais simples ser! Volto a rir...é preciso o que? Juízo? Isso compra-se! ah...ah...ah... mesmo que se venda, não compro... além do mais o preço deve estar a ser alvo especulação por algum lobbie da demência mundial, tal como o dos simples bens de consumo! Prefiro continuar a viver esta demência saudável da utopia diária!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

...merecemos?



Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

Natália Correia

quinta-feira, 15 de maio de 2008

...a chuva


Adoro ver a chuva cair! Sentir uma gota no rosto! A sua transversalidade é arrepiante...sim, porque nunca gostei do movimento oblíquo...em todos os seus aspectos, até na vida! Adoro ver uma pequena gota no seu movimento, muito forte e ao mesmo tempo tão frágil, divide-se em milhares de partículas, para logo de seguida se confinar numa só novamente. Depois junta-se a muitas outras e formam uma força brutal...mas a pequena gota lá vai...e depois de muitos ciclos volta a um novo rosto...adoro quando me corre uma gota no rosto! Sinal de vida...nem que seja pelas razoes mais tristes, estou vivo, uma lágrima representa muito, uma gota no rosto representa muito mais! Acaricio-a. Porquê? Tenho a certeza que um dia irá correr também num rosto amigo, mas quando isso acontecer, desejo que seja a tão simples e bela gota da chuva, que adoro sentir no rosto! Estou vivo!

terça-feira, 29 de abril de 2008

...e porque

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Serei sempre julgado...por vezes sem sequer direito a defesa! Mas sempre de pé! Sempre levantado...de cara ao vento! Sou eu o eterno demente...mas sou eu! Gosto de ser assim...louco na minha imensidão, não juiz do que os outros pensam, não um ser superior, mas cada vez mais eu próprio, sem rodeios, sem oprimir ninguém e julgar! Sou eu...alguém que respeita todos os outros...deixem-me viver...!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

...e depois!



Por vezes olho para o lado e penso! Mas só por vezes...o olhar fica perto e o pensamento distante! E, lá longe, dissolve-se na penumbra dos dias que passam...
Deixa passar...
Depois ao despertar, o mundo está aí...grande e pequeno, belo e feio, ousado...bonito. Vale a pena gritar é nosso? Vale a pena gritar quem somos! Somos nós mesmos, qual barco de papel a flutuar por cima das águas, frágeis e fortes, belos e feios...e quase sempre à deriva!
Alto! Parei! Olhei novamente em frente, acordei, levantei-me, sou eu...o eterno!
Sou mesmo eu, não mudo, nem sou mudo, falo sozinho se for necessário, qual louco numa ilha abandonado, mas não mudo...abraço o sol, aceno às nuvens, beijo o mar! É bom ser livre...

sexta-feira, 28 de março de 2008

...faz-se luz!


Aos meus amigos, em particular para uma muito especial...

...um simples movimento com o dedo, e ...pim! Faz-se luz! Uma luz intensa aparece, para logo de seguida com outro movimento desaparecer. Fez-se luz! É simples o ligar e desligar de luzes! Complicado, é o ligar e desligar da luz no e do nosso pensamento! É tão fácil ligar uma luz! O problema é como a desligar, um click não basta...nunca basta! Porque o cérebro é muito complicado...os curto-circuitos são imensos! E existem sempre as fugas...fugas para a frente, não se sabe bem para onde...para o abismo? Para o paraíso? Onde me levas? Onde vamos? Ligar uma nova luz?
Acho que posso e quero ligar todas quanto possível! Nesta vida finita, cada vez mais os dias escasseiam...cada amizade que nasce em mim, é uma nova luz neste caminho, por vezes injusto, desértico, é certo, mas ao mesmo tempo bom e saboroso, que é o caminho da minha vida! Cada nova amizade é uma nova alma, que se encontra e que renasce...e que nunca se apagará em mim...e novamente se fará luz!

quinta-feira, 13 de março de 2008

...deu para ver!


Sem dúvida! Dá para ver muitas coisas aqui de cima...muitas mesmo! Não é tentar ser um ser superior, muito longe disso, mas dá para ver sem dúvida, mesmo que a dúvida se instale na mente e no coração, dá para ver! Por vezes o nevoeiro também nos provoca dúvidas, mas no final dá sempre para ver! E é tão bom ver e rever...! Depois existem os muros...mas pelo pequeno buraco do tijolo dá para ver! Dará sempre para ver! O estado físico dará para ver um dia, mas enquanto isso não chega, conseguimos ver! E na soma de todos as visões ocultas que temos...basta-nos a janela do pensamento para ver-mos! Não será esta a melhor visão que temos? Julgo que sim...eu vou vendo! Aaaaahhhh!

segunda-feira, 3 de março de 2008

...e quem me rodeia!


...olho em redor! Volto a olhar! O que vejo? Coisas boas...coisas más, como todas as pessoas, é claro! As coisas más, tocam-nos muito...recordamos, remoemos, voltamos a pensar...até se esgotar tudo, ou exteriorizamos, ou vivemos para todo o sempre, com a sensação de podermos ter feito algo, para apagar esse rasto estranho!
Mas o melhor de tudo é sentirmos a vida! Nada melhor para nos sentirmos melhor...de peito feito às balas! Vir um primo com cinco anos a correr, saltar para nós, para os nosso braços...é tão bom sentir a vida, sentir a felicidade, a vivacidade, a inocência, a verdadeira vida, a honestidade de sentir sem pedir nada em troca...só os nossos braços! É tão bom ser miúdo, não ter maldade...viver por viver, amar sem pedir nada, não ligar a bens materiais, não ter o dinheiro como objectivo primeiro! Talvez por isso, alguém um dia me disse que eu era um puto grande! Mas é tão bom ser assim...não vou mudar...kero ser um puto grande para todo o sempre...até morrer...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

...na política!

Não falo de política! Todos nós somos políticos, quem disser que não é está a mentir, está a ser conotado ao que todos os políticos são hoje, mentirosos! Eu sou político, não me revejo em nenhum partido, tenho como sempre tive as minhas simpatias. Eu sou político, mas de uma forma diferente...não com a conotação ideológica, mas sim na vida...senão vejamos a definição: "O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, colectividade e outras definições referentes à vida urbana"... talvez agora entendam o meu raciocínio...difícil é ser-se assim, mas é bom viver em sociedade, não na nossa actual, mas talvez um dia, depois de sonhar-mos, de viver-mos, de nos esmurrar-mos contra obstáculos, de voltar-mos a reflectir e a pensar o que somos e como somos, aí sim ficará para trás toda esta coisa que cheira mal e leva à vergonha humana! Esta sociedade da mentira, dos números, da desgraça...! Utopia sempre e sempre! É bom acreditar na nossa utopia, no nosso sonho de vida, mesmo com os desvios naturais é tão bom acreditar no nosso semelhante, na igualdade! Mas onde isso está? Onde está a igualdade...Quero comprar um quilo, pode ser? Era bom...mas para quando? Vamos começar a sonhar...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

...a sonhar?

É tão bom, não é? É tão bom sonhar! E para quem já sonhou de olhos bem abertos é melhor ainda! O sonho é o nosso mundo secreto, por vezes até para nós próprios! Posso nem me lembrar algumas das vezes, dos sonhos que tenho...mas é a sensação que fica! É a sensação de liberdade! Sim, porque não há nada que tenhamos hoje em dia, mais livre que um sonho. Deixem-me sonhar! É só o que peço...
Neste momento estou a ouvir uma voz fantástica, e por mais voltas que dê...e dou muitas na música, volto sempre ao mesmo! Que hei-de fazer? Ouvir mais uma...duas...mais uma infinidade de vezes! Adriano sempre! Sim porque os grandes não morrem...eu na minha pequenez cá vou andando a ouvir e a sonhar!...dou mil voltas, ouço toda a música, comercial, alternativa, de tudo um pouco e gosto! Mas o meu cais é...e será sempre a voz do Adriano! E desta vez pergunto mesmo ao vento que passa...mas o que se passa? O que se passa com as pessoas? O que se passa com o mundo? Só queria um sonho...um sonho lindo...para viver e morrer em paz...

Post scriptum: Obrigado Isabel pelo comentário! Tu sim, entendes o meu ser! Não me vou deixar apanhar, apesar de não ser uma borboleta!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

...ao nível da astrologia!


Será que sou mesmo assim? Talvez...

Signo Maya Kin 121, Dragão Auto-Existente Vermelho
Eu defino com o fim de nutrir
Medindo o ser
Selo a entrada do nascimento
Com o tom auto-existente da forma
Eu sou guiado pelo poder da navegação
"Tomo minhas decisões, baseando-me nos princípios da verdade; rompo estruturas e vivo ordenadamente."

sábado, 2 de fevereiro de 2008

...será que existe!


Talvez exista mesmo...o simples bater de asas de uma borboleta, pode alterar muita coisa! Este é o princípio do efeito borboleta! Acredite-se ou não, talvez haja um sentido neste principio. É deveras interessante fazer o simples exercício de passar esta teoria para o campo das relações interpessoais...pensem bem no desencadear de tudo. Cada vez mais os efeitos secundários e exteriores a nós próprios, podem muito facilmente, moldar-nos o pensamento e a maneira de actuar perante uma pessoa. A teoria do caos é cada vez mais aplicável...veja-se o exemplo de uma relação! Pode devido a factores completamente aleatórios e exteriores a uma das pessoas complicar tudo! Mas pronto cá andamos nós na nossa pequena luta...enquanto uns morrem de fome, de guerras fratricidas e de coisas estúpidas! Somos nós que cavamos a nossa própria sepultura, a nossa estupidez absurda pela sociedade de consumo, pela estabilidade financeira...perdoem-me, desculpem-me...mas não quero ser assim, para esse peditório não dou, nem darei! Livre como uma borboleta, mas nunca nascido de uma metamorfose! Hasta la victoria siempre!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

...sempre e para sempre!

Há coisas que lemos que retemos com facilidade, mas para mim nada melhor que a poesia cantada, é bom ouvir interpretações de poemas belos...música que depois de entoada, entra nos ouvidos, como se fosse o cantar de uma ave livre! Intervenção para muitos, eu chamo poemas! Nestes dias depois de um interregno, voltei a sentir a leveza das palavras, na mensagem utópica entoada pela voz de alguém que foi mais um mártir, não de um qualquer assassino ou ditador, mas sim de uma sociedade que nos vendem todos os dias! Assim aqui ficam dois registos, um poema adaptado para espanhol por ele, "El martillo" e um vídeo de um outro, "El derecho de vivir en Paz! Voz a Victor Jara,

Oh hermano, oh hermano.

Si tuviera un martillo
golpearía en la mañana
golpearía en la noche
por todo el país
Alerta el peligro
debemos unirnos para defender,
la paz.

Si tuviera una campana
tocaría en la mañana
tocaría en la noche
por todo el país
Alerta el peligro
debemos unirnos para defender,
la paz.

Si tuviera una canción
cantaría en la mañana
cantaría en la noche
por todo el país
Alerta el peligro
debemos unirnos para defender,
la paz.

Ahora tengo un martillo
y tengo una campana
y tengo una canción que cantar
por todo el país.
Martillo de justicia
campana de libertad
y una canción de paz.

Canción de Lee Hays y Pete Seeger (1949)
Adaptación en español de Víctor Jara (1969)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

...agora!

O tempo passa...a vida passa...os sonhos passam...o dia seguinte também passa...
por vezes tudo muito depressa! Mas é bom saber desfrutar todo o tempo, toda a vida, todos os sonhos e todos os dias seguintes...é tão bom ser assim! Nem que para isso tenha que morrer sem nada, nem sequer um simples caixote para me levar...!
Admiro os que trabalham e guardam o dinheiro...que trabalham no campo que compraram com o dinheiro do seu próprio suor, mas que depois de todo o sacrifício, morrerão e nem na sua própria mortalha feita de terra cultivada serão sepultados! Gostava de ser assim, viver pelo simples viver, talvez fosse mais feliz! Infelizmente, para mim, tudo vai para além disso, digo infelizmente porque não consigo ficar indiferente ao que vejo, ao que sinto e ao que sou...adoro falar, ver o mundo, sorrir todos os dias...adoro!
Adorava ser simples!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nunca estou...

Cada vez que me levanto, nunca estou! Nunca! Não sei porquê mas nunca estou! E interrogo-me por que é que nunca estou! Até me sinto mal por nunca estar! Mas pronto lá sigo os desígnios da vida...trabalhar, por incrível que pareça um trabalho pragmático para alguém classificado como uma pessoa com jeito para estas coisas de escrever e de baralhar tudo, mas que se há-de fazer! Sinto cada vez mais um misto em mim, adoro tudo o que faço, desde o simples apertar de um parafuso, até ao escrever qualquer coisa sem nexo! Por isso é que nunca estou...nunca! Talvez preferisse estar...mas os sonhos são bons demais para deixar alguma coisa para trás...!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Hoje...

Onde estou hoje...

Hoje é o título de uma música dos Trovante, e por sinal tão bonita como desconhecida da maior parte das pessoas!
Hoje estou aqui, na capital, mas das aldeias... no centro do nosso pequeno mundo!
Cada vez mais sinto que sou uma pequena partícula, infinitamente pequena! Ninguém pense que o mundo gira em redor de si próprio! Para os que pensam assim, faço uma simples pergunta: E se toda a vida deixasse de existir amanhã? O que fariam? Eu sei o que faria...roubava flores! Ideia estúpida! Quando todos os outros pensariam em matar a fome, em procurar a paz, em procurar os braços de quem amam...eu roubaria flores! E porquê? Pela simples razão de que tudo o que é belo não se compra, como não tenho flores...rouba-las-ia! Para quê? Para oferecer a todos os que me fazem mal, porque os que me fazem bem não precisam! Porque se me fazem bem já os conquistei, mesmo que por momentos se afastem, ainda que noutra vida, voltarão até mim! Os que me fazem mal tentaria conquistá-los...já que não o fiz através de actos, tentaria com a forma mais natural que o ser humano tem de expressar um sentimento, oferecer flores! É uma coisa de adolescentes? Talvez também o considere! Mas nós não passamos todos de crianças a brincar aos adultos...e nesse aspecto uns ficam com as coisas más que lhe ensinaram durante essa fase, outros ficam pelo meio termo, bons numas coisas e maus noutras, mas ninguém fica com todas as coisas boas, infelizmente...
Gostamos da nossa pequenez, arranjar alguém bonito para partilhar uma vida, e que vida? De trabalho, de sacrifício, de sei lá mais o quê, uma vida imposta por um modelo de sociedade...de viver, trabalhar e morrer! O resto logo se vê debaixo da terra...ou no céu! Temos é que parecer bons, boas pessoas, senão uma divindade superior qualquer nos castigará no dia do juízo final! Mas não passar do parecer, porque se um dia deixar-mos de parecer e formos mesmo bons com os outros, a própria sociedade ditará o nosso fim!
Ainda bem que o meu horizonte vai para além do que esta sociedade tem como padrão, os bens materiais têm o valor que têm, o trabalho também! Orgulho-me de ser como sou! Sinto-me bem a trabalhar, foi o que escolhi, mas também me sinto bem quando conheço outras pessoas, outras culturas, outras formas de viver! Não é o dizer que disse, não é a velha teoria do que nos vendem os outros, a televisão, a rádio e os jornais, mas sim conhecer, sentir e viver essas pessoas!

Viverei assim!
Não arranjarei nenhum porta-chaves para companhia!
Viverei mesmo assim!
Na utopia!
No sonho!
Viverei sempre assim!
Mas bem comigo mesmo e sempre a roubar flores!

Hoje estou assim...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O primeiro local onde estou...

Não poderia deixar de estar nunca...

Estrela do mar

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sózinho, ao relento
E ali longe do tempo, acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

"Sou a estrela do mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar

"Estrela do mar
Só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."


Jorge Palma