...um coração bate sem parar, o traço do rosto, o passo para a frente! o encontro de encontrar...
A linha que anda no bolso, enrola, enrola como o mar, desfia e torna a desfiar!
Exclamação! Não a pergunta: " estás aí?" ...por vezes estou, outras vezes não! O coração bate..bate devagar mas sem nunca parar.
Mas eis que surge uma arritmia, acelera a pontos de explodir ao ver os cabelos belos e a linha que sai do bolso transforma-se no teu rosto...
...e o coração volta a acalmar ...os traços do rosto acalmam o mar. O mar bate bem devagar até acordar... os cabelos, o rosto...volto ao mar a calma fica, o coração acalma, o cérebro pratica...
Um dedo na boca...um olhar! Imponente com certeza, será? Com certeza e a incerteza da distância..apagada pelo sorriso simpático, pelo olhar! Olha...olha...olha...sorri...sorri...depois a velha batalha, (2-0), ganho muito! Mas no final perco sempre...sempre volto a perder sempre e sempre! A distância foge a cada dia que te vejo, mas regressa quando foges! Cada dia sinto a lágrima escondida que chora, percorre o meu rosto, foge pelo meu corpo....! Estás aí? Será mesmo que estás? Sabes o puto grande que há em mim renasce todos os dias...e foge com a saudade de ver o sorriso que me encanta...cada pormenor fica guardado...até as unhas pintadas de vermelho...mexendo nos lábios..sinal de doçura, carinho e tudo o resto que te rodeia...o meu mundo! Queres uma rosa? Tens que a colher...mexe no cabelo...que enquanto isso eu sonho.......................
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
SONATA DE OUTONO
Inverno não é 'inda mas Outono Na sonata que bate no meu peito Poeta distraído, cão sem dono Até na própria cama em que me deito
Inverno não é 'inda mas Outono Na sonata que bate no meu peito Acordar é a forma de ter sono No presente e no pretérito imperfeito
Mesmo eu de mim próprio me abandono Se o rigor que me devo não respeito Acordar é a forma de ter sono No presente e no pretérito imperfeito
Morro de pé Mas morro devagar A vida é afinal o meu lugar E só acaba quando eu quiser
Não me deixo ficar Não pode ser Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar Pois viver é também acontecer
A vida é afinal o meu lugar E só acaba quando eu quiser
...mais um percurso, mais uma caminhada na leveza de ser, a andar! Mais uma viagem, uma aventura pitoresca, o conhecimento brutal de outra cultura. O modos vivendi assusta! Os odores fortes e inebriantes, a visão fugaz de outro mundo, o sentir entre os dedos de outra areia, o ouvir de outra língua de outra musicalidade, os mil sabores de especiarias. Os cinco sentidos alerta para tudo...a musicalidade de todos eles somados, formam a partitura de um viandante... também o sou! Recolho todos os elementos, a abertura mental no espírito de aventura enraizado...ir sem nada, sem certeza, viver no meio social dos nativos, assim se desenvolve a mente e principalmente a mentalidade! E tiram-se conclusões brutais, como alguém vive assim? ...tão pequenos que somos, pequeninos como o pavio de uma vela em final de vida...ardemos lentamente, ao belo prazer dos nossos olhos e do que nos vendem...a vida não passa de uma marroquinaria para os grandes do mundo! Jogam ao sabor do vento! Como um tabuleiro de xadrez, e distribuem os lugares, não passamos de meros peões, com a ambição que um dia seremos a uma pedra com maior valor...mas nunca o rei! E quando damos conta...XEQUE MATE!
Lembrei-me de escrever! Então pensei e repensei, a liberdade sufocante de pensar em quem se aprisiona. Falar...falar...e sorrir! Sorrir...falar...falar! O sorriso mantêm-se tal como uma miragem escondida na sombra do impossível! O brilhante colado no dente reluz...tal como o olhar escondido na sombra do não poder! Aventura fugaz e verdadeira de quem afinal se perdeu na imensidão das ondas brutais desta corrente que arrasta a verdade! Sim, porque a verdade tal como a conhece-mos, falta à verdade...fica o ultraje de uma situação impossível, um amor de água na boca, perdido no sistema solar entre luas de vários planetas e batendo nos cometas que passam e passarão, tal como estrela cadente que parecia ser a estrela polar de um universo só meu! Lembro-me que o culto de propriedade não é para mim...sou demasiado fraterno e igualitário para ser latifundiário de pessoas, de sentimentos e de tudo o resto que se imagine. Basta uma leve brisa...um leve odor e lá está o sorriso, aquele da última noite em que só ficou o superficial de um beijo....sou eu que vive e resiste a tudo! Faço-me forte para não chorar e choro...
As viagens pelo nunca! Cada vez escrevo mais coisas sem sentido e ordenadas pelo sentido desordenado das coisas! A imensidão de um mundo pequeno! A pequenez de um mundo grande! A vida continua, mesmo com os carreiros das formigas! Que bom....mas muitos carreiros dão uma auto-estrada...um país...um mundo...um universo! A complexidade de ser demente! Mas sabes que mais...sorri! Ainda que por um segundo...sorri! O que fará um sorriso? Soltará um sorriso do outro lado...uma lágrima...uma reacção de... Pensamos...gostamos...somos...LOUCOS!
A maneira esquisita de estar e de ver as coisas, confunde-se com o turbilhão de tudo em meu redor... A maneira de viver confunde-se com o sentir algo que não se sente... Afinal a soma de tudo o que se subtrai pode vir a dar nada! Como é que se sente sem se sentir? Sei lá...apeteceu-me dizer isto!Tal como faço coisas sem nexo, tal como gosto de coisas sem nexo, tal como por vezes encontro uma vida sem nexo, apeteceu-me dizer isto! Fecha os olhos... Volta a abrir...o que se passou? O escuro atrofia a mente! Fecha os olhos...ouve a música... Volta a abrir...o que sentes? A leveza...que bom que é relaxar... Que mania a minha das reticências! Claro representam o que se pode dizer e não se diz, representa o que se sente e não se demonstra e mais do que isso...representa o passo que se pode dar e não se dá! O passo da loucura, de ser demente convicto pela simples razão de destoar do modelo padrão...
Por isso...vou e voo e volto a voar e ir e regressar, basta a mente para saber que estou onde quero estar!
domingo, 1 de fevereiro de 2009
...e se eu fosse mesmo eu quem serias tu?
Anseio a vida...e a morte! Os meus sentimentos são... sei lá, quem sabe? Nem eu sei o que sinto! Sei quem sou...eu! A primeira pessoa do singular a viver e a lutar! Quem pensa mal de mim...quem pensa bem? Quero só saber quem não pensa! Não faz sentido? Pois não... Mas não preciso de dizer que sou eu... Sou mesmo eu...lembras-te? Quem? Eu? Não...a vida! O ser humano...mais um nesta confusão ordenada de ser...de amar...de gostar !
"...Eu sou livre como as aves E passo a vida a cantar. Coração que nasceu livre Não se pode acorrentar..."
...é belo conhecer poemas, que grande parte de todos que nos rodeiam desconhecem, só por sentirem que não é "in"...fuck that..i'm so good, i know this letters! Sou feliz porque fui selectivo no que me rodeou e no que me rodeia. Mesmo que quem escreveu me desiluda...mesmo que se digam felizes...lembras-te? Sou eu, não morri! Quem chora agora? Sou eu... Quem vai chorar? O tempo está alerta...
Li...reli, Gostei...adorei, Sabes quem sou? Mas sabes mesmo? o ser em mim clama por perdão, chora por tudo o que se passou e passa... basta-me o meu coração!
Mas sabes o tempo é bom... estou a envelhecer! E tu como estás? Bem? Mal? Ou a viver?
Como vivo tão simples dócil de pensamento... romântico?..talvez! depende sempre do momento!
E tu? Felizes? Será que é mesmo tão simples.. A estrela do mar? lembras-te...? É tão simples sonhar!
Fica o eterno sentimento de revolta, o eterno sentimento de deixa para lá... um dia voltará o sonho.. e a dúvida de quem sou ficará!
A lágrima corre no meu rosto...vive e sobrevive! Porque não se afasta? Porque não? Explica-me! O eterno sonhador sou eu...sim porque o sonho comanda a vida...admito cada vez mais que comanda! O colorido dos sonhos está aqui sem medo e a assumir que morrendo novo, vivo muito mais! Sonhei com a minha morte...sinto quem me ama...sinto quem me odeia! Separam-se as glórias dos choros, no dia do juízo final! Uma ala festeja e outra chora a minha morte! E sabes que mais? Encontrei-te a chorar...
Para a minha afilhada, a quem já ofereci o livro e para os meus primitos..
"E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
....
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa..."
...estás a olhar? Vês o céu? É bonito não é? O céu está fantástico hoje, muito belo ver todas aquelas estrelas faz-nos sentir tão minúsculos e tão grandes ao mesmo tempo! Mas melhor que isso é aquela sensação de sentir os teus braços...olhar o infinito finito do teu olhar...! Continua a olhar...eu já olhei, deliciei-me a olhar...mas a estrela mais brilhante, mais resplandecente estava mesmo aqui, ao alcance da minha mão, dos meus braços, dos meus lábios! A minha estrela polar...vou continuar a olhar...sempre e sempre a contemplar...
...feliz! Acordei feliz! Olhei para o lado e não estava ninguém! Que estranho...mas, no mesmo instante olhei para dentro de mim, e adivinha quem lá estava? ...o mundo todo! Mas alguém se destacava no meio da multidão...será que existes? Sim...logo recebi um sinal. É bom...e que bom! Hoje estou com as reticências no texto, ainda bem, um sinal de mudança, sinal que saem da vida e transportam-se para o texto...é bom! ...será que existes? Mesmo que queira escrever o mais belo de tudo o que já escrevi, logo de seguida sinto que é ofuscado, pelo brilho e pela beleza da estrela que emerge na multidão! És tu! Dormi pouco...sinto-me bem! A leveza do cérebro...é boa! No final e com um brilhozinho nos olhos foi bom...é muito bom...será muito bom...e que bom!
...sussurar-te ao ouvido! ...dizer bom dia ao sol! ...tocar o coração sem sentido! ...sentir a tua falta! ...olhar o universo! ...voar! ...tocar na lua! ...nascer! ...sobreviver! ...morrer! ...ressuscitar e rejuvenescer! ...um sorriso, um rosto! ...um olhar, uma mão! ...um olhar! ...um olhar! ...uma mão! ...uma mão! ...todos os dias tanta coisa! ...aprender! ...ouvir com atenção! ...reflectir!
...sentir a batida do coração!
...no fim de tudo...apeteceu-me ser feliz! E sentir...
Quer eu queira quer não queira Esta cidade Há-de ser uma fronteira E a verdade Cada vez menos Cada vez menos Verdadeira
Quer eu queira Quer não queira No meio desta liberdade Filhos da puta Sem razão E sem sentido No meio da rua Nua, crua e bruta Eu luto sempre do outro lado da luta
A polícia já tem o meu nome Minha foto está no ficheiro Porque eu não me rendo Porque eu não me vendo Nem por ideais Nem por dinheiro E como eu sou e quero ser sempre assim Um rio que corre sem princípio nem fim O poder podre dos homens normais Está a tentar dar cabo de mim Cabo de mim
Se queres saber quem sou olha-me nos olhos... Se queres saber quem sou sente a minha mão... Queres saber o que elas contam? A história da minha vida! Tudo o que guarda o coração!
O meu baú teima em guardar muitas coisas... histórias de sempre e de nunca, de uma vida...de uma luta! Será em vão? o tempo o dirá!
Tudo passa... o vento.. a água... o gesto... a excepção é mesmo excepcional o único que fica é mesmo o sentimento!
E esse guarda-se muito bem, no fundo do baú... a nossa vida!
...como se sente? de sentir! ...de percorrer as formas, o espelho, o olhar! A vontade enorme de ter o prazer de agradar...sim, porque tudo se resume ao ter prazer de se... falar, gostar, olhar, admirar, cultivar, de novo voltar a olhar e agradar! Ninguém consegue avaliar tudo que nos rodeia, existe sempre algo que está aqui tão perto, que nos fascina por um pormenor a que nunca demos muito atenção, mas ele está lá...o pormenor! Passamos ao lado e voltamos a passar...ele está lá...quem o encontra? Gosto de ser grande...como uma gota de água, um pouco de fogo, um grão de areia, ou o ar da brisa matinal! Os quatro elementos...a união de espírito! E o pormenor? A vida...e depois o olhar, a face oculta da lua, o olhar que fascina, o mesmo de todas as luas que giram em torno de um planeta! A ilusão... e a demência de nos bater o sol na cabeça e a lua rodar sem parar...e gritar: o louco saiu à rua!... e a acompanhar veio com ele o perfume ébrio do champanhe da vida! Será bom? Será mau? Avaliação à parte... tem classe! É champanhe! É perfume! É a vida! A minha vida!
Depois do desequilibro da chuva... o renascer do sol na sua plenitude! O calor... a forma das formas! O odor...a passagem do rio! As coisas sem nexo que penso e digo! Agora apeteceu-me escrever frases sem sentido nem ligação... as ligações ao mundo do nada! E do nada se faz tudo...tira-se de um lado põe-se no outro e o que resulta: tudo e nada! Que maluquice a minha... Rio-me a olhar para o que escrevo, que sensação estúpida de ser estúpido sem nexo...o que escrevo? Meras tolices... volto a rir-me e a imaginar o que pensa quem me lê? Que demente escreve uma coisa destas? O que vale é que a minha demência, ainda não serve como prova de condenação aos olhos do mais simples ser! Volto a rir...é preciso o que? Juízo? Isso compra-se! ah...ah...ah... mesmo que se venda, não compro... além do mais o preço deve estar a ser alvo especulação por algum lobbie da demência mundial, tal como o dos simples bens de consumo! Prefiro continuar a viver esta demência saudável da utopia diária!
Adoro ver a chuva cair! Sentir uma gota no rosto! A sua transversalidade é arrepiante...sim, porque nunca gostei do movimento oblíquo...em todos os seus aspectos, até na vida! Adoro ver uma pequena gota no seu movimento, muito forte e ao mesmo tempo tão frágil, divide-se em milhares de partículas, para logo de seguida se confinar numa só novamente. Depois junta-se a muitas outras e formam uma força brutal...mas a pequena gota lá vai...e depois de muitos ciclos volta a um novo rosto...adoro quando me corre uma gota no rosto! Sinal de vida...nem que seja pelas razoes mais tristes, estou vivo, uma lágrima representa muito, uma gota no rosto representa muito mais! Acaricio-a. Porquê? Tenho a certeza que um dia irá correr também num rosto amigo, mas quando isso acontecer, desejo que seja a tão simples e bela gota da chuva, que adoro sentir no rosto! Estou vivo!
Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Serei sempre julgado...por vezes sem sequer direito a defesa! Mas sempre de pé! Sempre levantado...de cara ao vento! Sou eu o eterno demente...mas sou eu! Gosto de ser assim...louco na minha imensidão, não juiz do que os outros pensam, não um ser superior, mas cada vez mais eu próprio, sem rodeios, sem oprimir ninguém e julgar! Sou eu...alguém que respeita todos os outros...deixem-me viver...!
Por vezes olho para o lado e penso! Mas só por vezes...o olhar fica perto e o pensamento distante! E, lá longe, dissolve-se na penumbra dos dias que passam... Deixa passar... Depois ao despertar, o mundo está aí...grande e pequeno, belo e feio, ousado...bonito. Vale a pena gritar é nosso? Vale a pena gritar quem somos! Somos nós mesmos, qual barco de papel a flutuar por cima das águas, frágeis e fortes, belos e feios...e quase sempre à deriva! Alto! Parei! Olhei novamente em frente, acordei, levantei-me, sou eu...o eterno! Sou mesmo eu, não mudo, nem sou mudo, falo sozinho se for necessário, qual louco numa ilha abandonado, mas não mudo...abraço o sol, aceno às nuvens, beijo o mar! É bom ser livre...
Aos meus amigos, em particular para uma muito especial...
...um simples movimento com o dedo, e ...pim! Faz-se luz! Uma luz intensa aparece, para logo de seguida com outro movimento desaparecer. Fez-se luz! É simples o ligar e desligar de luzes! Complicado, é o ligar e desligar da luz no e do nosso pensamento! É tão fácil ligar uma luz! O problema é como a desligar, um click não basta...nunca basta! Porque o cérebro é muito complicado...os curto-circuitos são imensos! E existem sempre as fugas...fugas para a frente, não se sabe bem para onde...para o abismo? Para o paraíso? Onde me levas? Onde vamos? Ligar uma nova luz? Acho que posso e quero ligar todas quanto possível! Nesta vida finita, cada vez mais os dias escasseiam...cada amizade que nasce em mim, é uma nova luz neste caminho, por vezes injusto, desértico, é certo, mas ao mesmo tempo bom e saboroso, que é o caminho da minha vida! Cada nova amizade é uma nova alma, que se encontra e que renasce...e que nunca se apagará em mim...e novamente se fará luz!
Sem dúvida! Dá para ver muitas coisas aqui de cima...muitas mesmo! Não é tentar ser um ser superior, muito longe disso, mas dá para ver sem dúvida, mesmo que a dúvida se instale na mente e no coração, dá para ver! Por vezes o nevoeiro também nos provoca dúvidas, mas no final dá sempre para ver! E é tão bom ver e rever...! Depois existem os muros...mas pelo pequeno buraco do tijolo dá para ver! Dará sempre para ver! O estado físico dará para ver um dia, mas enquanto isso não chega, conseguimos ver! E na soma de todos as visões ocultas que temos...basta-nos a janela do pensamento para ver-mos! Não será esta a melhor visão que temos? Julgo que sim...eu vou vendo! Aaaaahhhh!
...olho em redor! Volto a olhar! O que vejo? Coisas boas...coisas más, como todas as pessoas, é claro! As coisas más, tocam-nos muito...recordamos, remoemos, voltamos a pensar...até se esgotar tudo, ou exteriorizamos, ou vivemos para todo o sempre, com a sensação de podermos ter feito algo, para apagar esse rasto estranho! Mas o melhor de tudo é sentirmos a vida! Nada melhor para nos sentirmos melhor...de peito feito às balas! Vir um primo com cinco anos a correr, saltar para nós, para os nosso braços...é tão bom sentir a vida, sentir a felicidade, a vivacidade, a inocência, a verdadeira vida, a honestidade de sentir sem pedir nada em troca...só os nossos braços! É tão bom ser miúdo, não ter maldade...viver por viver, amar sem pedir nada, não ligar a bens materiais, não ter o dinheiro como objectivo primeiro! Talvez por isso, alguém um dia me disse que eu era um puto grande! Mas é tão bom ser assim...não vou mudar...kero ser um puto grande para todo o sempre...até morrer...
Não falo de política! Todos nós somos políticos, quem disser que não é está a mentir, está a ser conotado ao que todos os políticos são hoje, mentirosos! Eu sou político, não me revejo em nenhum partido, tenho como sempre tive as minhas simpatias. Eu sou político, mas de uma forma diferente...não com a conotação ideológica, mas sim na vida...senão vejamos a definição: "O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, colectividade e outras definições referentes à vida urbana"... talvez agora entendam o meu raciocínio...difícil é ser-se assim, mas é bom viver em sociedade, não na nossa actual, mas talvez um dia, depois de sonhar-mos, de viver-mos, de nos esmurrar-mos contra obstáculos, de voltar-mos a reflectir e a pensar o que somos e como somos, aí sim ficará para trás toda esta coisa que cheira mal e leva à vergonha humana! Esta sociedade da mentira, dos números, da desgraça...! Utopia sempre e sempre! É bom acreditar na nossa utopia, no nosso sonho de vida, mesmo com os desvios naturais é tão bom acreditar no nosso semelhante, na igualdade! Mas onde isso está? Onde está a igualdade...Quero comprar um quilo, pode ser? Era bom...mas para quando? Vamos começar a sonhar...
É tão bom, não é? É tão bom sonhar! E para quem já sonhou de olhos bem abertos é melhor ainda! O sonho é o nosso mundo secreto, por vezes até para nós próprios! Posso nem me lembrar algumas das vezes, dos sonhos que tenho...mas é a sensação que fica! É a sensação de liberdade! Sim, porque não há nada que tenhamos hoje em dia, mais livre que um sonho. Deixem-me sonhar! É só o que peço... Neste momento estou a ouvir uma voz fantástica, e por mais voltas que dê...e dou muitas na música, volto sempre ao mesmo! Que hei-de fazer? Ouvir mais uma...duas...mais uma infinidade de vezes! Adriano sempre! Sim porque os grandes não morrem...eu na minha pequenez cá vou andando a ouvir e a sonhar!...dou mil voltas, ouço toda a música, comercial, alternativa, de tudo um pouco e gosto! Mas o meu cais é...e será sempre a voz do Adriano! E desta vez pergunto mesmo ao vento que passa...mas o que se passa? O que se passa com as pessoas? O que se passa com o mundo? Só queria um sonho...um sonho lindo...para viver e morrer em paz...
Post scriptum: Obrigado Isabel pelo comentário! Tu sim, entendes o meu ser! Não me vou deixar apanhar, apesar de não ser uma borboleta!
Signo Maya Kin 121, Dragão Auto-Existente Vermelho Eu defino com o fim de nutrir Medindo o ser Selo a entrada do nascimento Com o tom auto-existente da forma Eu sou guiado pelo poder da navegação "Tomo minhas decisões, baseando-me nos princípios da verdade; rompo estruturas e vivo ordenadamente."
Talvez exista mesmo...o simples bater de asas de uma borboleta, pode alterar muita coisa! Este é o princípio do efeito borboleta! Acredite-se ou não, talvez haja um sentido neste principio. É deveras interessante fazer o simples exercício de passar esta teoria para o campo das relações interpessoais...pensem bem no desencadear de tudo. Cada vez mais os efeitos secundários e exteriores a nós próprios, podem muito facilmente, moldar-nos o pensamento e a maneira de actuar perante uma pessoa. A teoria do caos é cada vez mais aplicável...veja-se o exemplo de uma relação! Pode devido a factores completamente aleatórios e exteriores a uma das pessoas complicar tudo! Mas pronto cá andamos nós na nossa pequena luta...enquanto uns morrem de fome, de guerras fratricidas e de coisas estúpidas! Somos nós que cavamos a nossa própria sepultura, a nossa estupidez absurda pela sociedade de consumo, pela estabilidade financeira...perdoem-me, desculpem-me...mas não quero ser assim, para esse peditório não dou, nem darei! Livre como uma borboleta, mas nunca nascido de uma metamorfose! Hasta la victoria siempre!
Há coisas que lemos que retemos com facilidade, mas para mim nada melhor que a poesia cantada, é bom ouvir interpretações de poemas belos...música que depois de entoada, entra nos ouvidos, como se fosse o cantar de uma ave livre! Intervenção para muitos, eu chamo poemas! Nestes dias depois de um interregno, voltei a sentir a leveza das palavras, na mensagem utópica entoada pela voz de alguém que foi mais um mártir, não de um qualquer assassino ou ditador, mas sim de uma sociedade que nos vendem todos os dias! Assim aqui ficam dois registos, um poema adaptado para espanhol por ele, "El martillo" e um vídeo de um outro, "El derecho de vivir en Paz! Voz a Victor Jara,
Oh hermano, oh hermano.
Si tuviera un martillo golpearía en la mañana golpearía en la noche por todo el país Alerta el peligro debemos unirnos para defender, la paz.
Si tuviera una campana tocaría en la mañana tocaría en la noche por todo el país Alerta el peligro debemos unirnos para defender, la paz.
Si tuviera una canción cantaría en la mañana cantaría en la noche por todo el país Alerta el peligro debemos unirnos para defender, la paz.
Ahora tengo un martillo y tengo una campana y tengo una canción que cantar por todo el país. Martillo de justicia campana de libertad y una canción de paz.
Canción de Lee Hays y Pete Seeger (1949) Adaptación en español de Víctor Jara (1969)